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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Poder, fama, riqueza e os riscos da solidão





Segundo Gabriel Garcia Marquez, escritor colombiano, autor do clássico “Cem anos de solidão” e Prêmio Nobel de Literatura, “a fama é capaz de fabricar a maior a mais pavorosa das solidões. Esta solidão da fama só é comparável à solidão do poder. O poder absoluto é a realização mais alta e completa do ser humano. E por isso, resume, ao mesmo tempo, toda a sua grandeza e toda sua miséria”.


Quem assistiu, recentemente, o premiado e polêmico filme “A dama de ferro”, cuja produção se baseou na história de vida, da líder e ex-primeira ministra inglesa, Margareth Tatcher, pode constatar os efeitos desta situação. Até mesmo porque o filme também aborda a sua rotina após deixar o cargo e tudo que o mesmo representava. E desta forma foi possível constatar que a solidão se faz presente tanto durante o exercício do poder como também em sua etapa posterior.

Tem sido bastante comum encontrar pessoas que durante algum período da sua vida conquistaram fama ou poder, mas que, ao mesmo tempo não tiveram a preocupação de se preparar para a etapa de ostracismo e solidão que se seguem. Quando já não mais se encontram na condição de personagem, ou sendo tratadas como alguma referência, e deferência, no mundo as cerca.

Os efeitos deste despreparo tem sido possíveis serem observados nas mais diferentes atividades e universos da nossa sociedade moderna.

Afeta empresários, altos executivos, políticos, atores, esportistas, artistas, escritores e tantos mais que em algum momento da sua vida conseguem atingir uma posição de destaque, ou reconhecimento público.

E aqui não estamos falando daqueles que conseguem seus “quinze minutos” de fama. Pois esta situação é muito efêmera. Os meios de comunicação e os recursos do mundo virtual têm sido muito utilizados para construir e destruir personagens, numa velocidade assombrosa.
 

Também os milionários – novos ricos ou herdeiros de fortunas – podem ser afetados por este sentimento. Especialmente porque nestes casos muitas vezes eles encaram uma cruel dúvida sobre a autenticidade e honestidade em relação aos que se aproximam na busca de um relacionamento. O que os leva muitas vezes a uma vida reclusa, solitária e repleta de temores.

 Tanto a perda de poder, como do reconhecimento pelos outros, podem acarretar medos, inseguranças e até uma gradativa destruição da auto-estima. Para alguns esta situação pode se tornar tão dramática que chega a produzir um sentimento de falta de sentido ou razão para viver. Tal a dependência que criaram em relação a estes mecanismos de veneração ou bajulação.

Todos estes dilemas e questionamentos só tendem a aumentar, na medida em que os índices de longevidade estão se ampliando. Ou seja, vai haver mais tempo de existência para administrar tanto as alegrias como as tristezas. 

O desafio é reinventar-se de forma permanente para buscar novos sentidos para uma vida que também sofre transformações. Afinal, a felicidade não é um estado permanente, mas uma busca constante para toda a vida.
E, decididamente, combater a solidão e ao mesmo tempo se reinventar, não se obtém apenas consumindo mais. Até porque um dos apelos do consumismo é o de se tornar exclusivo e se manter entre os poucos “escolhidos” pela busca constante de ser “diferente” ou ser percebido como tal. Isto só aumenta a solidão. Pois, “tudo jamais será o bastante e o suficiente.” 

O alerta vale, de forma especial para os jovens que estão perseguindo estes aparentes modelos de sucesso e reconhecimento. Segundo Adam Smith, “em nenhuma fase da vida humana o desprezo pelo risco e esperança presunçosa de sucesso se encontram mais ativos do que naquela idade em que os jovens escolhem sua profissão”. É um tema para ser discutido em família, onde a busca por um modelo de sucesso se faz muito presente. E isto vale tanto para a vida pessoal como profissional
 

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