O que se tem visto nas grandes manifestações populares reivindicando redução do preço das passagens e por passe livre aos estudantes não são pessoas indo às ruas para apoiar ou derrubar este ou aquele político. São protestos contra tudo o que se fez de errado em políticas públicas desde a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. Também têm sido vistos protestos contra erros cometidos recentementemente em perpetuação aos erros do passado. Ainda não se trata de um movimento majoritário. Ao contrário, a maioria permaneceu em casa perplexa com a capacidade de mobilização destas lideranças através das redes sociais. Entretanto, esta maioria silenciosa não deixou de receber o recado dos manifestantes.
O que vale mais? O direito de ir e vir pelas ruas ou o direito dos manifestante de ocupar às vias de tráfego e deixar as pessoas sem poder ir ou vir presas no trânsito? O direito a um preço mais justo de passagens, fruto de acordos entre sindicatos de empresas concessionárias de transporte público e sindicato de trabalhadores da categoria ou o preço reivindicado pelos manifestantes usuários? Neste caso, o cliente tem sempre razão? O estudante deve continuar pagando sua passagem ou esta deve ser custeada pelo Estado? São discussões das quais não se pode mais fugir ou deixar para a próxima geração. A sociedade e o Estado vão ter de dar uma resposta a estas questões. Vão de ter de colocar “o dedo nesta ferida”.
A alocação de recursos por parte do Estado à Base de 10% do Produto Interno Bruto- PIB na pasta da Educação seria suficiente para subsidiar a isenção das passagens de todos os estudantes ou ainda assim a isenção só seria justa se fossem subsidiadas as passagens dos estudantes comprovadamente carentes? Quem deve pagar a conta do transporte público? O passageiro, o usuário de transporte individual ou a sociedade como um todo? São discussões que saíram dos gabintes com ar condicionado e foram parar na “boca do povo” nas ruas ao relento. Independentemente de como se pode atender às reivindicações e a que custo, o tema tornou-se pauta nacional e até global diante dos holofotes da imprensa internacional que cobre a Copa das Confederações da FIFA no Brasil.
Qual seria o próximo passo na direção da conciliação destes interesses? É uma resposta que a sociedade vai ter de dar em ações pragmáticas alocativas de recursos que vão desde as canetadas dos chefes de poder executivo, passam pela sensibilidade dos ocupantes de cargos de poder legislativo e vão até as atitudes das partes interessadas que se manifestam nas ruas, nas urnas ou até em casa através das redes sociais. Ninguém mais vai poder fugir a este debate.
Fonte: administradores.com.br
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